Honestamente falando, eu me sinto atraída pelo jeito calado, sem graça e magrelo de ser. Quando de manhã se olha o céu claro e azulado, vê-se as montanhas ainda intocadas e o vento bate sem dó no rosto da gente. E me vejo sem você, ou com aquele, espremida. Espremo o coração de tanta gente. Você fica ali do lado, e eu ao lado doida pra falar, mordo a língua e fico quieta, inquieta, como você. Pode falar, fala por favor, chama a atenção pra ti, e esqueci a vergonha. Lembra que a gente brincava dentro do ônibus da escola? Você até tantava me beijar, e eu puxava teu cabelo. Por que agora você não pode vir falar comigo? Hoje você até sorriu, mesmo que de ladinho sem perceber quem sabe, quando me viu entrar dentro daquela van bem tranquila. Eu queria tanto saber como anda tua vida agora, e sinceramente, acho que você também quer saber como anda a minha. Com sorte, algum dia você até sorria, abertamente. Eu sempre sorrio pra outras pessoas, pra ela, pra ele, falo tanto com eles que cansa. Eu me sinto cansada quase todo o tempo. E você? Se cansa de falar também?
Quando me sento no sofá e fico ereta pra que você possa ver que estou daquele lado, ou do lado de quem, é de próposito. Com sorte você chegue até a sair lá fora pra me ver, disfarçadamente, e talvez fique me olhando até alguém chegar, ou te gritar. Você parece tão reprimido... esquece que tudo que te reprime é tu mesmo? Ás vezes me faltam palavras, e ás vezes elas são a sobra da refeição do dia. Quando estou lendo, consigo pensar em várias formas de começar uma carta, mas nunca uma pra você. Sempre parece que aquele começo não é o adequado. Então pensei que poderia escrever um bilhete dizendo apenas: Sorria. Quem sabe assim, você realmente sorriria. Você nem feliz parece. E nem eu. Pra ser totalmente sincera, eu não sou feliz. Me mantenho apenas bem por algum tempo, até que vem alguém e acaba com o bem-estar. É como eu digo: É preferível manter-se na tristeza, porque ela sim tu sabes sempre como vai ser e não vai te surpreender, passar, do que ser feliz por um breve tempo, voltando assim ao começo de tudo.
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