quarta-feira, 28 de março de 2012

ELES SEMPRE CONVERSAVAM MAS NUNCA DAVA EM NADA.

 Pimenta.

Olhares que matam.

Visava sempre o absoluto silêncio, e a descrição. Tanto do olhar, quanto do movimentar de lábios, tanto inferiores quanto superiores. Tendo o movimentar de mãos da manhã, da tarde e com sorte, da noite. Viste que sempre está escondendo-se entre cortinas, vidros, pessoas. Pode olhar sem medo, não mordo. Pode falar sem medo, não serei rude. Não quero pensar que talvez, quem sabe, isso tudo seja. Eu tentaria falar, se eu tivesse coragem. Só de ouvir sua voz, grossa e viral falando com outro alguém, indiretamente comigo, eu já me sinto satisfeita, porque sei que não me odeia totalmente. Se é que me odeia um pouco. Lembro-me que quando pequenos, falávamos e fazíamos coisas engraçadas, coisas de crianças. Hoje já adultos, deixamos de lado as coisas de crianças, e visamos um futuro: carreira, companheiro, faculdade. Visamos uma vida plena e satisfatória. Poderíamos visar também possibilidade de conversação?

domingo, 25 de março de 2012

"Pff. Não entendo a Amy. Não mais. Na verdade, entendo muito. Mas não de uma forma... racional. Certamente falando."

Arthur sobre Amy e sua forma estranha e complicada de lidar consigo mesma.

"Se ela resolvesse os problemas dela, não teria tanto com os outros."

Arthur diz sobre uma certa pessoa.

11:45

Não é que eu não a ame, é só que sinto medo de que isso não seja realmente o amor que espero que seja. Por vezes, me pego pensando no que aquele amigo ou aquela amiga vão pensar de mim, eu sei que não deveria me importar com a opinião dos outros, até porque não são os outros que iram deitar-se na cama com ela, conversar sobre o dia, beijar os lábios enegrecidos e doces, ou tocar nos cabelos um tanto complicados de gostar. Mas eu gosto. Se pensado no lado familiar da coisa, ela poderia ser minha irmã, e tanto assim, como minha amante, eu a amaria. Ela seria preciosa, totalmente única na maneira de ser e de lidar com coisas tolas, como aquela conversa sobre aquele assunto. Não poderia me lamentar por não ter ficado mais tempo com ela, publicamente eu digo, mas eu  lamento por ter tido que pensar tanto na proposta feita. É só que para algumas pessoas nem sempre amar é tudo. Vem-se os medos, as tristezas, e as possiveis desgraças com o amor; É só que para algumas pessoas, amar não significa total felicidade, ou êxito completo naquela empreitada.
Quando perguntei se teria alguma coisa pra me dizer, talvez a resposta que eu quisesse não fosse aquela que tive. Talvez eu quisesse que você me disesse que não amava-me desde o primeiro momento em que disse o contrário, porque assim, eu não iria pensar que poderia estar com você agora, fazendo-a feliz. Mas não, pelo esperado, tem-se a decepção. Você disse que estavámos indo rápido demais, e eu não discordo, não discordo de nada do que diz. Eu só não queria estar sentindo frio. Só não queria estar sentindo que poderia ter feito melhor, para que agora, estivesse tudo bem. Eu só não queria muitas coisas.

terça-feira, 20 de março de 2012

Não deves olhar assim pra mim. Me chamar. Falar-me. Falar-lhe custa tempo, e desgasta a minha paciência. E a tristeza já toma muito disso aí. Faz favor? Só esqueci. Fingi que eu não existo assim como estou fazendo com você.

Ficou guardado o dia todo.

Você é aquela que pensava saber de tudo. Você observa, para e pensa, e quando perguntada acha que sabe tudo. Deixa eu só dizer-lhe que você não sabe nem a metade. Eu pensei que poderia confiar, chamar, contar-lhe tudo que contei, mas vi, hoje, e nos dias que se seguem e que se passaram que você não passa de apenas mais uma. Uma de tantas outras que eu soube que passaria e não ficaria. Pessoas como você sempre se vão. Então eu decidi escrever pra você. Sem você saber é claro, porque como já me disseram, sou covarde demais pra falar-lhe frente a frente, e devo então dizer-lhe assim, no anonimato querida. Querida? Como pode ser isso? Você ainda sim é querida pra mim; Eu só queria entender como eu pude me enganar durante quase dois anos. Eu devo pagar minhas contas e fugir. Não vou fazer como das outras vezes que sentei e conversei com você. Vi que não dava em nada. Devo agora só excluir a mim mesma das conversas, procurar um canto pra mim mesma. Só pra pensar.

Quando deixei de fazer parte das conversas? Quando deixei de ser importante? E quando, por favor diga, vocês começaram a se amar tanto? Vejo que já não faço mais parte do que um dia eu pensei que nunca sairia.
Tentava distanciar á mão que ficava por baixo das costas frias e suadas. Tentava não parecer tola e tão contente. Sem saber ela que era sempre á que fica. Fica sempre.
Calma teu choro, e calma teu coração sofrido, minha querida. Ainda algum dia vai-te ser feliz.
Vou-me ser feliz algum dia? Roubo que se fez dor.
Tudo no fim se faz dor. Só quero saber: quando serei feliz?
Transforma as perguntas em respostas e aquieta este coração amargo.
Faz-te amor em dor. Amor em indiferença. Faz-te tristeza transformar choro em sorriso e felicidade plena e duradoura. Faz-te pensar que isso e aquilo machuca demais. Machuca demais.
Faz-me fechar os olhos e não perder a vontade de abri-los para ver o mundo lá fora. Quero querer viver o mundo lá fora. Quero despedir essa velha amiga e sondar possibilidades de converter nova ordem de amigos.
Ah, amigo! Por onde andas tu que ainda agora não reapareceu pra fazer brilhar essa cena de horror em que me encontro? Tudo tão preto no branco.
Perguntante: O que ela tem?
Respondam-os: Ela só é mórbida.
Estado de tristeza tal que se faz doença.
E eu só queria pedir um favor: fica.

terça-feira, 13 de março de 2012

Hilda Hilst:

" FICO PENSANDO SE ESSA COISA ENORME QUE EU SINTO ESTÁ DENTRO DE MIM OU DENTRO DO POÇO SECO. QUEM SABE SE É PORQUE O FUNDO DO POÇO SECO É REDONDO E ESSAS COISAS REDONDAS DÃO A IMPRESSÃO DE SEREM ACABADAS, DE QUE TUDO ESTÁ PERFEITO NO REDONDO, E POR ISSO TALVEZ EU ME SINTA DIFERENTE E ATÉ MUITO JUSTO QUANDO ESTOU LÁ. DEVE TER HAVIDO ÁGUA NO FUNDO. SERÁ QUE EU OUÇO A ALMA DA ÁGUA? COMO É ESTRANHO QUE EU SEJA FEITO DE CARNE, EU PENSO QUANDO ESTOU LÁ DENTRO, E QUE OLHANDO COM MEU OLHO EU POSSA VER."



"Como me sinto? Como se colocassem dois olhos sobre uma mesa e dissessem a mim , a mim que sou cego : isso é aquilo que vê , essa é a matéria que vê . Toco os dois olhos sobre a mesa , lisos , tépidos ainda , arrancaram há pouco, gelatinosos , mas não vejo o ver . É assim o que sinto tentando materializar na narrativa a convulsão do meu espírito , e desbocado e cruel , manchado de tintas , essas pardas escuras do não saber dizer , tento amputado conhecer o passo , cego conhecer a luz , ausente de braços tento te abraçar. "
                                        - Hilda Hilst

segunda-feira, 12 de março de 2012

Dois.

Não escrevemos mais. Não conversamos mais. A dor foi parcialmente curada... Pode gritar meu nome agora. Eu vou ouvir você, eu sempre vou ouvir você. Eu sempre estarei aqui, como sou hoje, você sabe não é? As pedras me contaram que a luz não é mais negra. Não, ela não é mais negra... Ela agora é total. Eu morri.

"Por que voltou? Por que voltou pra falar comigo? Por que sempre escreveu pra mim, mesmo quando nós dois não trocávamos uma única palavra? Por que chorei algumas noites, enquanto lembrava de você no bar comigo? Por que? Por que você pareceu mudar tanto, que daquela menina linda, se transformou para uma mulher linda e sem rumo. Aquela menina parecia ser deslocada, mas parecia saber que seu lugar era comigo. Por que?
É tudo isso que me pergunto todos os dias, todas as noites, cada longo e insano minuto, enquanto me escrevia seus depoimentos de desabafo."

Isso não vale mais de nada. Desculpa por ainda incomodar você.

Sarah... não vou te responder grosserias, não serei chato com você, não direi coisas em tom de arrogância ou sarcasmo, e não me entregarei. A verdade é que sou sempre o mesmo, mas dou o troco na mesma moeda. Minha grosseria foi esse troco. Mas não, agora não mais. Você levou tudo de mim. Simplesmente tudo. Então eu serei educado e indiferente com você. Vou tentar esquecer o que houve, e vou tentar agir normalmente com você. Eu não quero isso pra gente.

Um.

Lamento pelo seu término. Como tantos outros, deve ter sido complicado e dificultoso a certa medida. Sabe, Sarah... Sei que você se sente deslocada, e por isso sua vida gira em torno de suas vontades e as mesmas vão mudando aleatoriamente. Não que você esteja errada, você age naturalmente como qualquer pessoa que anda por aí, como eu, mas pois bem. Eu também sempre me senti deslocado, mas acho que nunca tive um problema pessoal comigo mesmo em relação a isso. Vamos concentrar o foco da conversa em você. Sei o que é não saber qual seja o seu lugar, e o quanto distinto isso se torna com o tempo. Você não sabe que irá achá-lo andando por aí, concentrando em não cair enquanto passa por uma simples calçada enquanto todos te olham, se irá achá-lo nos braços de alguém, ou em um lugar da sua mente. As pessoas, nós, nos confortamos com qualquer tipo de favorecimento compartilhado da mente para a alma, seja de uma boa leitura, um bom lugar, um cheiro gostoso, um sabor delicioso, uma  pessoa, um pensamento, ou alguma inspiração (como, por exemplo, a música e outros meios da área). Você acaba se viciando em inspirações, confortos em geral, e você consegue tudo. Consegue tudo o que quer, tudo que chega ao seu alcance, tudo que sempre desejou. Seu desejo vai mudando aleatoriamente – e desesperadamente – após cada sonho anterior realizado; você toca estrelas, flutua com as nuvens, pisa na Lua e simplesmente se descarrega no espaço. E, ainda, nada de achar seu lugar. Você conhece alguém, vocês riem, criam uma base juntos, passam a ter uma história... E quando essa pessoa te abraça, você não sabe diferenciar atração de amor. Ou, às vezes, a diferença insana de paixão e amor. Você quer porque quer estar com essa pessoa, e ama o que ela no momento – isso quer dizer temporariamente – te faz sentir. Um machuca o outro, e às vezes nem acontece. Mas não adianta correr; porque você ainda não achou seu lugar. Você se move, alguém sai machucado. Você sorri, alguém chora. Você respira, alguém perde o fôlego. E no final, os braços dessa pessoa não são mais o que parecia ser; eles não são seu lugar, nunca foram. Aparentaram ser, mas nunca. Jamais. E então você pula chão em chão, telhado em telhado, mas sempre vive caindo e indo na mesma ordem da sua fantasia. Seu vício, sua procura. Sua maior satisfação. Certo dia – sabe-se lá qual – você acha seu lugar. E que toda sua experiência valeu à pena. Você olha para trás e vê tudo pelo o que passou, e percebe que foi sua preparação experimental de vida, para poder chegar em seu universo reservado, onde ninguém te segura. Onde seu pior inimigo, e seu melhor amigo se tornam você. Simplesmente pelo fato de você se construir e ganhar o poder de desfazer-se. Uma palavra cuspida, um mal gosto concedido... não importa. Agora você achou seu lugar, e, tendo lástimas ou não, você sempre vai aprimorar seu espaço; lembrando que seja ele qual for, onde for, com quem for, e como for, você sempre terá uma razão para não desistir de si. Você ganha uma razão sutil e razoável para explicar ao seu coração presunçoso e inocente, o porquê teve que magoar aquelas pessoas. E muitas vezes, você mesma saiu magoada. Sarah.... Espero de coração que um dia ache seu lugar. Tente. Chore, grite, ame, sofra, corra, sorria, solte gargalhadas, divirta-se. Você tem o mundo nas mãos; basta saber usá-lo de acordo com seu espaço que te espera.



Depreciativa.

Ela não sofria. Não ria. Não chorava. Não sentia.
Quando Lynn saiu ás três da manhã de um bar na avenida que ainda não conseguia lembrar o nome, ela avistou um banco que ficava na esquina e deitou-se, bêbada, fechando os olhos  e escutando os sons da noite.  
Os sons da noite eram pesados, pelo ritmo constantemente turbulento da cidade, mas de forma nenhuma, feio. 
Quando fico acordada à noite me pergunto se realmente tenho vivido. Será que é assim, para todo mundo? Ou será que algumas pessoas têm mais talento para viver do que outras? Ou será que há pessoas que nunca vivem? Mas simplesmente existem? Então, o medo me pega e vejo um retrato horrível de mim mesma. Eu nunca amadureci. Meu rosto e meu corpo envelheceram, mas por dentro nunca nasci.

“Ando querendo ficar sozinha por um tempo, não muito diferente do que costuma ser, só de uma maneira mais formal. Que seja esticada no banco sujo da praça ou quem sabe pendurada na janela da sala, não sei, procuro apenas por um lugar tranquilo, de preferência perto da minha realidade e longe dos meus problemas. Quero que o silêncio me invada e ao mesmo tempo cale meus gritos. Tão pouco preciso de vozes, tão pouco quero abraços […] Sozinho com meus pensamentos, organizando por data meus sentimentos e ao lado da lata de metal amassada, descartando lembranças compradas nas lojas de 1,99. Preciso limpar essa sujeira, juntar os pedaços do meu coração nem que seja para guardá-los em uma caixa pequena no fundo da gaveta velha. […]

Bom, eu não sei exatamente o que escrever. Então vou falar sobre alguém que conheci um dia desses. Gosto das histórias que você me conta, do jeito que você fala, e da forma como não sabe explicar algo específico. Gosto também de quando faço você rir, de quando faz perguntas sem coesa, de como puxamos assunto, e da forma que nunca paramos de falar. Sabe que sempre fui calado, reservado, tímido e bem preguiçoso. Aí eu conheci você, e algo dentro de mim foi "ativado", digamos. Eu passei a ser mais curioso, interessado, e mais... eu. Acabei achando uma parte de mim, que eu não sabia que existia. E esse sou eu mesmo. Sempre odiei scraps e mensagens extremamente grandes, eu admito. Eram cheias de palavras, e nenhuma dizia nada. Mas com você, isso também é diferente. Eu rio com suas histórias, seus argumentos, seus comentários, e me interesso pela forma da qual você pensa. Do modo que você raciocina as coisas, vê o mundo como um pacote de oportunidades, talvez um lugar extenso.
Você sorri como se não tivesse "amanhã", como se fosse a chave de todas as portas que me trancassem. Quem já não se sentiu limitado, como um duende preso em uma garrafa? Você eu não tenho certeza, mas isso já se passou tanto comigo, que o fardo que sempre carreguei só aliviou agora. Sinceramente? Eu nunca conheci alguém como você. É até uma complexidade e tanto, tentar entender. Mas ainda assim, possível. E quando você se vai, você simplesmente leva tudo com você. Como se estivéssemos juntos sentados em uma mesa de jantar, e logo você leva a toalha e tudo o que estivesse em cima de ambos. Sobrando assim, eu e a mesa vazia. E claro, o restante da sala.

                                                  Escrito por Arthur K.