segunda-feira, 25 de junho de 2012

Meu querido Howard..

E eu te amo.
É difícil dizer isso depois de tanto tempo passado, mas é a verdade. Te amo!
É uma coisa tão forte e significativa que ás vezes, quando naquela tarde que você não entra, dói tanto. É um aperto no coração e um nó no estômago que se forma e transforma. E enforma. E se engloba e vaza pelos meus poros secos de tanto doar.
Venho sempre aqui e vejo esses montes de recados e depoimentos, e espero que o meu permaneça por um tempo que seja, e que signifique pra você pelo ao menos um terço do que és pra mim.
A coisa mais importante. A melhor coisa que me aconteceu. O melhor amigo que já tive em séculos! Você.
Eu fico querendo sempre te dizer o quanto certas coisas me incomodam porque é assim que eu demonstro o meu amor por ti e toda a minha preocupação. E tudo.
A dor ás vezes de vê-lo sofrer me faz quase tão mal quanto faz a ti, e é nesses momentos que eu queria te ter mais por perto pra poder te acarinhas, aninhas. Segurar-te junto a mim e fazer o mundo parar pra nós dois. Para que possamos fazer dele, juntos, um lugar pra entender.
Adoro quando você diz coisas bobas, e me conta, com certa facilidade amável que seu dia foi normal. Que você dormiu! E eu penso que queria te ver dormindo. Suas pernas jogadas. Você todo jogado e eu jogada sobre minha mãos observando-te dormir.
Observando cada respiração tua e absorvendo cada sopro de vida que dispensa ao mundo. Ao quarto. Fechado e abafado pelo som da sua respiração;
Eu queria ser um milhão de vaga-lumes pra poder iluminar sua noite. Um milhão. E eu não acredito no meus olhos. Eu não acredito que você seja assim tão real. Eu gosto de pensar que você é sonho duradouro. Que você felizmente nunca vai embora.
Por fim, deixo-te com a certeza de que meu amor não poderia ser mais verdadeira, e de que no fim de tudo, seja bom ou ruim, eu estarei contigo. E quero também que me perdoe pelos erros cometidos. Erros bobos. E que acredito sinceramente e com mais força do que eu: nunca lhe abandonarei e lhe amo mais do que meu pobre coração aguenta.
Um miserável amando a outro.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Salva-me de minha realidade.

Um par de joelhos.
Um par de joelhos e um par de olhos sedentos por viver.
Viver cada traço de cada coisa. De cada inrealidade que possa obter.
Só viver.
Um par de mãos que não consegue mais não agarrar uma garrafa, ou um cigarro oferecido. É necessário pra se salvar. Pra poder viajar e olhar muito além do que é visto pelo par de olhos.
Quando aperta os olhos, eu posso ver muito além de tudo isso que penso ver. Eu posso ver muito além do corpo mole e suado de muitas pessoas. Da curvatura empinada e destroçada pelo peso da vida. Posso ver, a mim mesma, curvada e triste. A melodramaticamente mórbida.
E posso ver a ti. O menino que na infância que conheci pouco, era brincalhão. Solto. Retraído. E que guardava o maior segredo do mundo. O único menino que lia muito e era o inteligente. E que tem amigos, afinal. E posso ver agora, quando aperto os olhos, o menino mais retraído ainda. Que edita as coisas. Mas que, em espaços de tempo, e se pedido, diz o que pensa. Mas edita as coisas. Mas esconde as coisas;
E eu ando pelas ruas da cidade, mas não tenho um porquê. Eu só queria me sentir em casa.
Mas quando estou com você. É totalmente diferente. Seja onde for, eu me sinto em casa. Porque você é minha casa. Você é o meu melhor. És tudo o que eu queria ser. Garotos insanos, gritam.
E o fim dos tempos pra mim está chegando. Sinto isso. E eu vou renascer da morte. Seremos como fênix.
E nada é fácil, querido. Nada. Não me faça rir nem chorar. Me sinto tão cansada! Com o tempo, achei que tinha aprendido a olhar mais longe. Mas não, continuas olhando tão perto quando teu olho permite. São tantos autos e baixos, que já me sinto uma velha de cem anos. Cansada e decrépita. Com a alma mais suja e  vazia de tudo. Somos dois?
E eu sinto uma tristeza de verão que vem consumindo todo o meu ser. Tudo o que eu deveria ser. Bate as notas da música, e eu só consigo pensar que eu deveria estar morta. Que eu quero remédios. Quero a noite pra que possamos não ver a claridade do céu e o sol. O maldito sol que queima todos os dias, mesmo que pouco. Que queima e deixa suar.
E beije-me enquanto ainda estivermos bons. E não me deixe lamentar no fim da bebedeira. Não me deixe cair. Não deixe que a nostalgia e a doença se arraste até mim. O telefone toca e eu não consigo levantar a mão pra pegá-lo. Sinto-me uma velha. Tristeza de verão. Inverno turbulento.
E você é o melhor.
Eu vou me vestir com a luz da lua hoje. Uma luz pálida e feia. Eu me sinto vivendo.
Querido, eu consigo sentir. Consigo sentir você em todo lugar.
Beije-me antes que a tristeza de verão acabe.
Finjo que finjo fingidamente que amo. Amo a tudo e a todos. E por vezes, sorrio falsamente pra esconder o tédio e a total falta de interesse. Rio e escondo a mim mesma. Por medo. Por vergonha. Consegue sentir a emoção das coisas?
E tem tantas coisas que nunca te contei. E tantas mentiras que contei pra esconder verdades horríveis.
E dentre todas elas, as mentiras, há uma afinal que nunca poderei revelar. Não uma mentira. Mas um segredo. Um segredo mentiroso. O único que magoaria você. A única coisa que você nunca conseguirá arrancar de mim, pois o tenho guardado no lado mais obscuro e  desprovido de emoção que conheço em mim.

domingo, 17 de junho de 2012

Quando os olhos pousam a espera de outros olhos e o toque nos cabelos faz mal entendido, é momento de louvar a glória de ter sido um dia unicamente eu.
Com a sorte vasta que se aproxima, tem tempo de sobra pra chorar.
E se o calor combate o frio, aproxima-se mais do cobertor chamado ele, e finja não ligar.
No caso da rima não rimar e você se saturar, apague tudo e tente de novo.
O de novo não vai te matar.

Pausa.

Pausa pra respirar.

Era a dona respiração de novo saindo entrecortada e ranzinza.
Era já milagre ela sair.

               Eu sair.

Polícia cármica!

Eu me perdi.

Eu me perdi.

Por um minuto eu me perdi!

                                    Totalmente.
AUTO!


Auto-depreciação;

Auto-piedade;

Auto-ignorância;

Auto-suficiência;

Auto-destruição;


E os baixos?

Baixa-estima;

Baixa-tendência-suicida;

Baixa-vida;

Baixa-morte;

Baixa-sorte;


Abaixo!

LARA!

Hum?

Só isso.

                               16 DE NOVEMBRO DE 2012.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A imagem acima é uma cópia totalmente absurda de uma ave estranhamente linda que meu melhor amigo e o homem mais importante pra mim fez durante uma aula na escola. Não me lembro o dia, mas me lembro que quando  bati o olho nela, sabia que deveria ser minha. 

A Solitária:
Andava na calmaria da noite, e com sorte, piava. 
O som fazia-nos arrepiar os cabelos dos braços e a espinha inclinada ficava toda dura ao som do pio da Solitária. Era o som da morte. Tristeza. Fome. Nostalgia. Corrosão. 
Era o som da fome de viver. 
Queria a Solitária viver plenamente um dia de sol e voar num dia de chuva. 
Queria a Solitária não ser assim tão sozinha, e poder dizer pra todo mundo que ela é realmente feliz e que vive bem. Bem vive. Vive.
Era noite quando chegou a dona Morte e se arrastou lenta pra perto da Solitária. Alastrou o braço negro e fantasmagórico para a ave, e esperou que ela acordasse pra poder com o melhor dos sorrisos dizer um "Olá".
No fim da noite, ela disse um "Olá", abraçou e acarinhou a ave Solitária, mas quando o sol raiou e a dona Morte partiu pra mais um dia de luta, Solitária deitou a cabeça na relva e chorou como fazia toda manhã.
Quando o sol quente e brilhante soltou seu pequeno fecho de luz no rosto da ave, Solitária abriu os olhos e por alguns segundos cegou-se. E por ali ficou de olhos abertos enquanto a total cegueira pelo sol a deixava ver coisas totalmente novas. Um mundo interior. Era a música. O som. A luz. A escuridão. Era. Foi. Será.

Acredita-se que Solitária só foi realmente feliz quando o sol a cegou totalmente. Porque assim, ela pode ver coisas que a visão realmente não a deixava enxergar. Ela pode finalmente, ser feliz. 
E a dona Morte? Essa voltava sempre á noite e partia pela manhã. Mas, como era pra ser, Solitária e dona Morte tiveram uma amizade longa e duradoura. 
E com sorte, além disso.

sábado, 2 de junho de 2012

Homem solitário.

De pé na condução lotada, vinha uma homem. Um homem solitário.

Com as mãos brancas e de unhas feitas, segurava-se pra não cair ou tombar em alguém. Mas, mal sabia ele que já havia feito as duas coisas. Tombado em alguém, e caído. Caído tantas vezes quanto foram possíveis.
Era o começo da manhã ainda. Mais ou menos umas seis e meia, um pouco mais, um pouco menos. Mas, para o homem solitário, isso deveria não ter tanta importância, porque ele já havia esperando demais pela condução que sempre vinha lotada e abarrotada até as janelas de pessoas vazias e risonhas. 

Os pontos foram passando, pessoas foram entrando e saindo. O motorista foi dirigindo. Risadas foram soltas. Trocadora. Troco. Guardar. Segurar. Dormir. Pensar. 

Soltou a mão e esperou; esperou, esperou. E veio. Coçou o olho, e quando abriu o outro, viu que ela já havia entrado. A mulher. 

Ela tinha feito alguma coisa no cabelo. Com azar, percebeu que ela havia passado maquiagem hoje. Um pouco demais pra alguém que iria apenas ao trabalho, não acha? Os olhos dela foram virando-se, e colaram-se nos olhos dele. Ele virou o rosto rapidinho e sentiu a garganta queimar, ou foi as faces? Sentia-se idiota e obsceno.

Os pontos foram passando, pessoas foram entrando e saindo. O motorista deu uma freada. Risadas foram se apagando. Trocadora. Troco. Esconder. Largar. Acordar. Sonhar.

Ele pensava que o bonito na manhã era a neblina fina e passante que se formava nas montanhas que ele via pela janela da condução lotada. Que o bonito pela manhã, era saber que poderia com sorte, pegar a condução lotada com a mulher. Mas, nem sempre ela entrava. Quem sabe seria o atraso, ou mesmo a falta de vontade de ir trabalhar. Ele, nesses dias que ela não pegava a condução, ficava reparando demais na neblina. Sentia-se firme. Não obsceno ou idiota. Mas firme. Firme porque sabia que ela não estaria dentro da condução lotada, e ele não teria que ir contra as próprias vontades pra olhá-la.

Passou. A neblina passou pela janela suja da condução lotada, e ele ficou lá, olhando ela passar. 

O ponto dela chegou. Ela desceu. Elas e ele. O branquelo com jeito de gay com quem a mulher teve um relacionamento. Ele sabia disso por ficar ouvindo a conversa dela com os outros. Ele não tinha coragem de falar com ela. Intimidação talvez. 

Ela desceu. Elas e ele. A outra também, como de costume. 

O ponto do homem solitário chegou. Ele desceu logo depois das outras que conversava com a mulher, e esperou... Andou até o trabalho e esperou. Esperou que a hora começasse a passar pra ele almoçar. Ir embora.

A hora de almoçar chegou. Comeu arroz, feijão e um bife. Lembrou-se que a mulher era vegetariana e tinha os cabelos pretos. Mas já haviam sido de varias cores. Voltou ao trabalho e esperou. Esperou que a hora de ir embora o alcança-se;

Alcançou. Ele pegou a mochila e foi pro ponto. O condução vazia chegou, ele pagou a passagem e foi pra trás. O costumeiro assento perto da janela. Então esperou que o ponto da mulher chegasse e ele pudesse, com sorte, vê-la sozinha sem o homem de mãos de moça.

Ela estava com ele. O homem de mãos de moça. Ela pagou a passagem e entrou. Olhou pra ele e sentou-se correndo. Ele, o homem de mãos de moça sentou ao seu lado. Ela riu e passou a mão envolta dos ombros dele e deitou a cabeça no ombro dele. Aproximação de amigos. Amigos que tiveram e ainda tem alguma coisa. Ele virou o rosto pra janela e pensou.

Pensou que deveria falar com ela, mas que isso ficava só na cabeça dele. Pensou também que ela estava radiante hoje e que ela estava menos triste que ontem. E que ela não estava com a barra da calça dobrada. Ela. Ela. Ela. Ela. Sempre ela.

Pensou e pensou... 

O ponto chegou e ele desceu logo atrás da mulher que se dirigia pra casa da outra mulher. Fingiu que não via. Mas via. Sempre viu que ela também tinha medo de falar com ele.