A imagem acima é uma cópia totalmente absurda de uma ave estranhamente linda que meu melhor amigo e o homem mais importante pra mim fez durante uma aula na escola. Não me lembro o dia, mas me lembro que quando bati o olho nela, sabia que deveria ser minha.
A Solitária:
Andava na calmaria da noite, e com sorte, piava.
O som fazia-nos arrepiar os cabelos dos braços e a espinha inclinada ficava toda dura ao som do pio da Solitária. Era o som da morte. Tristeza. Fome. Nostalgia. Corrosão.
Era o som da fome de viver.
Queria a Solitária viver plenamente um dia de sol e voar num dia de chuva.
Queria a Solitária não ser assim tão sozinha, e poder dizer pra todo mundo que ela é realmente feliz e que vive bem. Bem vive. Vive.
Era noite quando chegou a dona Morte e se arrastou lenta pra perto da Solitária. Alastrou o braço negro e fantasmagórico para a ave, e esperou que ela acordasse pra poder com o melhor dos sorrisos dizer um "Olá".
No fim da noite, ela disse um "Olá", abraçou e acarinhou a ave Solitária, mas quando o sol raiou e a dona Morte partiu pra mais um dia de luta, Solitária deitou a cabeça na relva e chorou como fazia toda manhã.
Quando o sol quente e brilhante soltou seu pequeno fecho de luz no rosto da ave, Solitária abriu os olhos e por alguns segundos cegou-se. E por ali ficou de olhos abertos enquanto a total cegueira pelo sol a deixava ver coisas totalmente novas. Um mundo interior. Era a música. O som. A luz. A escuridão. Era. Foi. Será.
Acredita-se que Solitária só foi realmente feliz quando o sol a cegou totalmente. Porque assim, ela pode ver coisas que a visão realmente não a deixava enxergar. Ela pode finalmente, ser feliz.
E a dona Morte? Essa voltava sempre á noite e partia pela manhã. Mas, como era pra ser, Solitária e dona Morte tiveram uma amizade longa e duradoura.
E com sorte, além disso.
...Amizade se estendeu, mas a morte é cruel.
ResponderExcluirA noite o sono e os sonhos eram apagado por sua presença, a verdade vinha a tona e o mundo por dentro desmoronava. A morte trazia consigo uma ingenuidade reconfortante e desesperadora. A dor era tanta que o vício da ecuridão e cegueira já não incomodavam mais, mas nem por isso a fazia feliz. Bem vindo ao mundo dos solitários.