Lamento pelo seu término. Como tantos outros, deve ter sido complicado e dificultoso a certa medida. Sabe, Sarah... Sei que você se sente deslocada, e por isso sua vida gira em torno de suas vontades e as mesmas vão mudando aleatoriamente. Não que você esteja errada, você age naturalmente como qualquer pessoa que anda por aí, como eu, mas pois bem. Eu também sempre me senti deslocado, mas acho que nunca tive um problema pessoal comigo mesmo em relação a isso. Vamos concentrar o foco da conversa em você. Sei o que é não saber qual seja o seu lugar, e o quanto distinto isso se torna com o tempo. Você não sabe que irá achá-lo andando por aí, concentrando em não cair enquanto passa por uma simples calçada enquanto todos te olham, se irá achá-lo nos braços de alguém, ou em um lugar da sua mente. As pessoas, nós, nos confortamos com qualquer tipo de favorecimento compartilhado da mente para a alma, seja de uma boa leitura, um bom lugar, um cheiro gostoso, um sabor delicioso, uma pessoa, um pensamento, ou alguma inspiração (como, por exemplo, a música e outros meios da área). Você acaba se viciando em inspirações, confortos em geral, e você consegue tudo. Consegue tudo o que quer, tudo que chega ao seu alcance, tudo que sempre desejou. Seu desejo vai mudando aleatoriamente – e desesperadamente – após cada sonho anterior realizado; você toca estrelas, flutua com as nuvens, pisa na Lua e simplesmente se descarrega no espaço. E, ainda, nada de achar seu lugar. Você conhece alguém, vocês riem, criam uma base juntos, passam a ter uma história... E quando essa pessoa te abraça, você não sabe diferenciar atração de amor. Ou, às vezes, a diferença insana de paixão e amor. Você quer porque quer estar com essa pessoa, e ama o que ela no momento – isso quer dizer temporariamente – te faz sentir. Um machuca o outro, e às vezes nem acontece. Mas não adianta correr; porque você ainda não achou seu lugar. Você se move, alguém sai machucado. Você sorri, alguém chora. Você respira, alguém perde o fôlego. E no final, os braços dessa pessoa não são mais o que parecia ser; eles não são seu lugar, nunca foram. Aparentaram ser, mas nunca. Jamais. E então você pula chão em chão, telhado em telhado, mas sempre vive caindo e indo na mesma ordem da sua fantasia. Seu vício, sua procura. Sua maior satisfação. Certo dia – sabe-se lá qual – você acha seu lugar. E que toda sua experiência valeu à pena. Você olha para trás e vê tudo pelo o que passou, e percebe que foi sua preparação experimental de vida, para poder chegar em seu universo reservado, onde ninguém te segura. Onde seu pior inimigo, e seu melhor amigo se tornam você. Simplesmente pelo fato de você se construir e ganhar o poder de desfazer-se. Uma palavra cuspida, um mal gosto concedido... não importa. Agora você achou seu lugar, e, tendo lástimas ou não, você sempre vai aprimorar seu espaço; lembrando que seja ele qual for, onde for, com quem for, e como for, você sempre terá uma razão para não desistir de si. Você ganha uma razão sutil e razoável para explicar ao seu coração presunçoso e inocente, o porquê teve que magoar aquelas pessoas. E muitas vezes, você mesma saiu magoada. Sarah.... Espero de coração que um dia ache seu lugar. Tente. Chore, grite, ame, sofra, corra, sorria, solte gargalhadas, divirta-se. Você tem o mundo nas mãos; basta saber usá-lo de acordo com seu espaço que te espera.
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