"EM DEMASIA,
Em demasia
Demasiadamente vivo em demasia. Nesta de viver. Nesta de ser. Nesta de querer ser aquilo que não sou. Aquilo que esperava ser e que talvez um dia seja. Em demasia vivo. Por uma vida. Uma vida em demasia loucura de estar sendo um outro ser que supostamente deveria ser só pelo gosto de ver estar sendo. Vivo demasiadamente em demasia de querer viver.
De querer.
Venha-me já que demasiado quero-lhe para mim, só pelo gosto de querer tocar-lhe os lábios na ponta da língua e exalar teu cheiro pelas pestanas entreabertas esperando que tu me venhas retirar-me o mel da boca para com seu gosto fazer-me mulher.
Aguardo-te a espreita com sede de desejo de ser-lhe tua mulher, amante, esposa, namorada. Mulher. Anima-te e aninha esse teu rosto barbudo na minha pele macia, passa-lhe os dedos miúdos pelas minhas orelhas e desliza-me por entre minhas entranhas para me fazer ser-te tua. Só. Saúda-me com teu olhar por entre essa demasia de querer-te todo dia. Toda hora. Todo tempo. Sempre. Sendo. Aquilo que já não sei mais quem sou. Venha-me roubar-me a vergonha de já não ser mais moça e ser somente tua mulher, amante, esposa, louca. Entretém-se por dentro dos meus cabelos que eu procuro por dentro dos teus, aquilo que um dia eu puder chamar de meu, que eu já não mais posso viver sem. Faz-me tua. Beija-me por inteira da ponta da língua até a ponta do pé para fazer-me por outra metade que em mim já não é mais meu e seu.
Deixe-lhe a respiração acelerar quando eu sem vergonha alguma caminhar os dedos por teu corpo nu e fizer-te ruir de espasmos com meu toque gélido. Mordiscarei tua orelha e farei tua garganta ergue-se de sufoco quando eu aperto-te tão forte junto a mim que não saiba como soltar. Desaprenda a soltar-me. Deixe-me ser tua por hora, por minuto, por dia, por semana. Por vida.
Esqueça como se soltar de mim. Tornemo-nos um.
Até que não haja mais hora, mas respiro, mas choro, mas grito.
Desenha meu rosto com os olhos entreabertos e os dedos a passar delicadamente por minha coluna, sem vergonha deixem-lhes vagar pelas minhas costas e deixe brincando com as suas caricias, até que seus dedos tomem-lhe a mão por inteira, até que um arrepio surja no pescoço e venha morrer na cintura nua, a espera do teu aperto. Perca-se por minhas coxas, brinque com meus joelhos e brinde seu lábio com a saliva do teu desejo.
Demasia. Em demasia me toma. Suga-me. Corrompe-me. Engole-me.
Em demasia,
Espero-te."

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